Carros “eternamente” parados na oficina: quanto custa para o seu bolso
Você olha para o box e o carro está ali. De fato, passa outra semana e ele continua ocupando espaço na oficina. Além disso, o dono liga e cobra, mas nada acontece. Como resultado, o carro parece ter criado raízes e se encontra no mesmo lugar.
Com certeza, a situação parece um pesadelo para o dono da oficina, já que ocupa o lugar de outro veículo e acaba com o lucro no pátio. Por outro lado, para o dono do carro, surgem possíveis custos extras com aluguel de carro ou aplicativos de transporte. Dessa maneira, todo mundo sai perdendo. Afinal, até onde pode chegar um prejuízo desses?
Para o cliente
O cliente pode ter despesas adicionais com locação de veículos, aplicativos de transporte ou outras alternativas de mobilidade. Além do mais, há ainda o custo de depreciação do veículo, que a cada mês fora de circulação perde o seu valor de mercado.
Do mesmo modo, some os custos com bateria descarregada, pneus deformados, mangueiras ressecadas e fluidos fora do prazo de validade. Visto que todos esses itens precisam ser revistos, eles representam gastos extras na hora de retirar o carro.
Inclusive, vale lembrar que os custos com seguro e IPVA continuam tendo que ser pagos, mesmo sem o uso do carro.
Para o dono da oficina
Por sua vez, para o dono da oficina, o maior gargalo nesse caso é o espaço que esse carro parado ocupa. Afinal, esse mesmo local poderia ser utilizado para atender outro cliente e gerar lucro, eliminando o custo de oportunidade do pátio.
Contudo, dependendo do contrato, a oficina pode cobrar uma diária pela utilização do espaço a título de taxa de depósito ou estadia por conta da guarda do automóvel.
O conceito de MRE (Margem de Contribuição por Espaço-Tempo)
Com o objetivo de otimizar a gestão, a melhor forma de medir a eficiência de uma oficina é aplicando o conceito de MRE (Margem de Contribuição por Espaço-Tempo). Essa métrica calcula quanto de lucro real cada box produtivo gera por metro quadrado e por hora ativa de trabalho.
Portanto, a fórmula básica para calcular o rendimento do pátio é expressa por:
MRE = Margem de Contribuição do Serviço (MC)
________________________________________________________
Área ocupada (m²) x Tempo de ocupação (horas)
O custo de oportunidade do box parado
Em contrapartida, se um veículo “problemático” fica parado no mesmo box por 15 dias (120 horas produtivas) aguardando peças ou por indecisão do cliente, e a margem final desse conserto lento é de apenas R$ 1.800, o cálculo da MRE desmorona:
MRE travado = 1800
_____________ = R$ 1,00 o m²/hora
15 x 120
Como resultado, a oficina perdeu R$ 9,00 de potencial ganho por metro quadrado a cada hora. Dessa maneira, o prejuízo real (custo de oportunidade) por ter esse único veículo travando o elevador por duas semanas ultrapassa os R$ 16.200 de faturamento que poderiam ter entrado no caixa com o fluxo normal de outros carros rápidos.
Mas, afinal, o que diz a Lei?
Dependendo da relação de consumo e da natureza do reparo, o Código de Defesa do Consumidor estabelece regras para solução de vícios e prestação de serviços, sendo recomendável analisar cada situação específica. Passado esse prazo, o cliente pode exigir ressarcimento do valor pago ou a troca. Entretanto, a lei é controversa sobre a retenção do carro por falta de pagamento. De fato, mecânicos podem exercer o direito de retenção do bem, mas a cobrança de diárias abusivas não é permitida e deve seguir os padrões do mercado local.
Quais são os vilões do carro parado na oficina?
De maneira geral, alguns motivos estão entre os mais recorrentes quando essa situação acontece. São eles:
- Falta ou atraso de peças: depender de fornecedores sem estoque ou parceiros comerciais lentos pode ser fatal para o seu atendimento. Com efeito, carro parado no elevador esperando peças consome seu lucro na oficina.
- Diagnóstico errado: a tentativa e erro sai muito caro e faz o carro voltar para o box sem uma solução definitiva. Consequentemente, o looping parece eterno, porque o novo diagnóstico impreciso e inconcluso faz com que o carro volte para o box e vá para o elevador sem solução.
- Clientes indecisos: dias e dias passam sem a aprovação do orçamento. Além disso, o orçamento enviado segue sem resposta e paralisa a operação da oficina.
Dicas para resolver ou evitar o problema com agilidade
Portanto, quer saber como não cair numa situação como essa?
Se você é cliente:
- Em primeiro lugar, responda à proposta de orçamento em até 24 horas e não enrole, para evitar a cobrança de estadia.
- Além disso, se o valor ficou apertado, seja transparente e negocie prazos ou etapas, mas de maneira nenhuma deixe de dar um retorno.
Se você é dono da oficina:
- Previna-se: inclua cláusulas de cobrança por estadia para evitar períodos prolongados de indecisão do cliente, e estabeleça no orçamento um prazo claro para aprovação.
- Alie-se à tecnologia: utilize o scanner para ajudar no diagnóstico e evitar o looping de tentativa e acerto.
- Desse modo, trabalhe com fornecedores “ponta firme” na entrega de peças e itens automotivos.
Conclusão: tempo é dinheiro, sempre!
Em suma, tempo é dinheiro, sempre! Afinal, pátio de oficina não é estacionamento e carro parado é prejuízo na certa. Por conseguinte, a oficina precisa ser encarada como uma linha de montagem de alta rotatividade para que dê lucro real.





